quarta-feira, 17 de setembro de 2008


De Mãos Dadas
Desde que nasci tive o apoio das mãos de minha mãe e do meu pai para me ensinar a viver e dar os primeiros passos. A mão do meu irmão quando íamos para escola e as mãos das colegas de escola que passeávamos pelo recreio.
Depois a mão do namorado, do noivo e do marido é, 35 anos de mãos dadas com a mesma pessoa e nesse tempo dividi as mãos com minha filha, meu filho e com minha “rapinha”.
Um dia aquela de 35 anos se soltou e foi para outras mãos e eu pensei – Como vou andar? Vou desequilibrar, vou cair, vou escorregar... Não sei andar sem aquela mão que era companheira, amorosa e que em um toque já sabia o que o outro queria.
Um dia também precisei de um abraço e além de não ter as mãos não tinha mais os braços para me abraçar e eu precisava tanto! Naquele dia não existia mais ninguém no mundo – Que horror, fiquei só e não sei viver só!
Foi quando descobri que aquelas mãozinhas pequenas dos meus filhos eram grandes, fortes, quentes, carinhosas, solidárias e haviam se multiplicado nas mãos e braços de genro e nora.
Mãos de irmão, cunhada e sobrinho segurando o telefone para me ajudar.
Mãos de sogra, tio, tia, primos, amigos, vizinhos, conhecidos e às vezes até de estranhos.
Mãos com aquelas batidinhas nas costas.
Mãos que se molhavam ao secar minhas lágrimas.
Uma mão nova pequena, mas tão pequena que me fez chorar de emoção só eu podia segurar, pois ela não sabia. Agora ela já sabe segurar e bem forte, mas não sabe que remédio bom que ela é.
Tem uma outra mãozinha pequena que me adora porque sou gordinha.
Tem uma mão companheira presente quase todo o dia.
Tenho mãos amigas masculinas, femininas, grandes, pequenas, peludas, macias, novas, velhas, brancas e pretas todas amigas prontas para ajudar.
Muitas pensam que eu é que as ajudo não sabem o quanto foram importantes para mim, mesmo distantes eram mãos amigas prontas para ajudar.
Hoje não tenho medo de desequilibrar, escorregar ou cair. Caminho só com as mãos sacudindo acompanhando os meus passos. Sei que não estou só porque todas as mãos amigas têm consideração pela minha pessoa e isso me orgulha porque certamente já fiz algo de bom por elas também.

As minhas mãos estão aqui prontas para o trabalho, o abraço, o aperto, o abano, a troca de fraldas, o carinho no rosto e esperando novas mãos principalmente as pequeninas para atirar beijos e dar tchau, tchau!


26/09/05 Sandra Mara Figueiró

domingo, 14 de setembro de 2008

Amigo



Dizem que não existe amizade entre um homem e uma mulher. Será?
Sempre tive mais amigos do que amigas na escola e no trabalho. Eu era amiga deles, mas eles não sei.
Na escola lembro que quando noivei meus amigos não acreditavam e ficavam pedindo a borracha emprestada só para ver a minha mão.
No trabalho tive 12 colegas homens e só eu de mulher, sempre me respeitaram às vezes alguém de outro departamento vinha com gracinhas mas ficava por isso mesmo.
Quando sai da empresa e fui me despedir dos colegas o António soltou o verbo e me disse que sempre foi apaixonado por mim que da janela ele via quando eu vinha com meu terninho azul, camisa rosa e gravata pink com poá azul que, segundo ele eu ficava linda nesta roupa, mas eu nem ligava para ele só tinha olhos para meu noivo que trabalhava na mesma empresa.
Nós éramos o único casal que tomávamos café juntos de manhã e a tarde e isso fazia com que os outros nos admirassem, menos o António que tinha ciúmes e eu nem notava. Normalmente o António e mais dois colegas almoçavam comigo, pois meu horário de almoço não coincidia com o do meu noivo e depois marido.
Meus colegas me tratavam como rainha. Quando fiquei grávida as atenções redobraram e eles brincavam dizendo que eram um pouco pai do neném.
Depois que sai da empresa nunca mais os vi.
Já as meninas da escola até hoje são minhas amigas.
De repente as amizades dos meninos perdem o encanto com o tempo ou vira amor.

Liberdade




Ás vezes vivemos presos a vida e nem notamos a prisão, a minha era confortável e cheia de pessoas a quem eu amo, eu vivia para elas e nem notava se estava presa ou não.
Quando fiquei só comecei a fazer coisas que me faziam sentir livre, comecei com os horários sem vigia, dormia quando queria às vezes até tarde demais, mas acordava sempre na hora e não sentia sono então, tudo bem.
Podia ir onde eu queria e quando eu queria isso me deu uma paz, uma tranquilidade era a minha liberdade que eu havia conquistado.
Humm gostei!
Mas antes, por amor eu nem notava que eu era uma prisioneira. Como não sei quanto tempo vai durar vou aproveitar.
Viva a liberdade!


01/06/06 Sandra Mara figueiró

Alguém


Existe um alguém muito especial que me ouve com atenção, que me fala com dedicação.
Alguém que colocou Deus no meu coração.

Alguém que a voz me faz bem.
Alguém que me protege.
Alguém que faz minhas vontades mesmo as mais difíceis.

Alguém que quer muito que eu me cuide, divirta-me, que eu pense em mim.
Alguém que me valoriza, me elogia que até me deixa encabulada, mas eu adoro.
Alguém que me diz isso olhando nos meus olhos, por isso eu acredito.
Alguém que me ensinou coisas novas.
Alguém meio sábio que me atira beijos e me abana no portão.
16/01/06 Sandra Mara Figueiró

O Mar


Continuo achando, que Deus tem boas ideias, e o que é melhor às executa.
Vejam o mar, imenso, pertence a todos, mas apesar de infelizmente ,muitos ainda não tiveram o privilegio e outros gostaram tanto que ficaram lá eternamente.
O que eu percebo é que perto dele ou viramos sereias ou crianças mesmo com 80 anos.
Gosto de observar as pessoas e ver as crianças brincando na areia, os pais que fazem castelos para os filhos “só que eles não podem tocar para não estragar”.
Os velhos sentados na beirinha junto com as crianças esperando que a água vá banhá-los e quando levantam saem com um saco de areia no maiô ou sunga, mas felizes porque brincaram.
E as sereias... Umas desfilam como numa passarela outras se deitam nas cadeiras ou na areia como princesas.
E eles... Uns desfilam com suas pranchas e outros fingem caminhar para manter a forma, mas não mesmo eles querem é olhar a paisagem. A do mar? – Não, as sereias nas areias.

25/03/06 Sandra Mara Figueiró

Tempo


Já vou começar comprando, o tempo com um barco. Quando não estamos bem e temos pressa de sair da situação, queremos que o tempo passe logo aí a água está parada e o barco não anda parece que o já passou uma hora, e no relógio só cinco minutos.
Quando estamos sós, ele também não anda certamente a solidão paralisa o tempo.
Mas é só nos atrasarmos um pouco e vem aquele vento e toca rapidamente o barquinho do tempo e as horas voam e voam também quando estamos muito ocupados.
E quando estamos felizes! Aí o barquinho ganha uma velocidade super sônica. Que danadinho...Não Podemos para-los, pois estamos ocupados com a tal felicidade e temos que aproveitar pois, não podemos perder tempo.
E a adrenalina da felicidade é o combustível eficaz para o barquinho do tempo.


04/03/06 e 25/03/06 Sandra Mara Figueiró

Presentes


Eu gostaria de ganhar de presente, de um homem que me amasse ,um buquê de flores, mas não aqueles práticos comprados em floricultura que são caros e lindos, mas sim um buquê de flores roubadas (Este é o único roubo que admiro) de flores colhidas e em cada flor que ele pegasse pensaria em mim depois poderia vir embrulhado em um guardanapo de papel certamente o valor seria altíssimo pelo menos para mim.
Este é o verdadeiro significado do presente pensar na pessoa durante a aquisição.
Eu sempre fui fã do natal, apesar do comentários que o natal é uma festa de consumo e esquecem o lado religioso eu discordo e acho que é a época do ano em mais as pessoas pensam umas nas outras e se preocupam com o que vão presentear este é o espírito de natal...
Já ganhei vários presentes que me emocionaram: Beijinhos presos em pequenos dedinhos, desenhos indecifráveis, flores sem o cabo, dentinhos de leite, ganhei também um espremedor de batatas e um porta sabão, pequenas canecas para minha coleção, um envelope com amostra grátis de remédios e um colar de miçangas amarelas.
Não me preocupo com o valor financeiro, mas sim com o sentimental.
Quando alguém faz um presente para nós certamente pensa em nós na hora da confecção.
Claro que também gosto de presentes comprados quando eles vem de coração e não pela obrigação de presentear.

04/03/06 Sandra Mara figueiró